Red Nights, poesias em guardanapos de papel de bar


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18/03/2005 10:13

Leo Maia, 17 03 2005, Grazie a Dio (ou SG no groove)

Ontem, apesar de não ter planos de sair, acabei caindo de novo no Grazie a Dio, com um brother, para conferir mais um show do Leo Maia, filho do síndico bagaceira Tim Maia.

Já vi vários shows do cara lá no Grazie. O CD dele deve sair neste mês. O som, claro, soul, groove, com pitadas de samba rock e funk. Não poderia ser diferente.

Leo canta bem e em alguns momentos lembra um pouco as cores vocais do pai , embora tenha bastante personalidade. Sua voz nada tem a ver com a poderosa voz do primeo Ed Motta.

Sua banda, Cavalo de Jorge (nome do CD de estréia) é muito competente: teclado, batera, baixo, percussão e guitarra, duas porque Leo também toca guitarra, uma Epiphone tipo 335 e uma tele. Músicos muito bons. Curto o baixista Processo, o percussa e o guitarrista, este último lembra muito o negrão do Casseta e Planeta pela pele e cabelo no mesmo tom. Negão total, de visual muito bacana, pilotando sempre uma tele.

O baixista costumava usar um Yamaha SBV, baixo que tem um som de Jazz Bass e um visual bem legal, numa linha bizarre retrô. Acho que ainda vou ter um desses. Ontem ele estava com um Jazz Bass 5 cordas, algo que me desagrada muito. Acho blasfemo Jazz Bass com 5 cordas.

Ontem a banda estava com batera, teclado e guitarra diferentes. Um amigo sugeriu que talvez fosse a banda do RJ. Não sei.

O guitarra me surpreendeu duas vezes. Primeiro porque tava armado com uma SG preta, linda e, depois, por mandar demais. Muito feeling e bom gosto. O amigo que encontrei por lá e sugeriu que os novos músicos fossem do RJ chamou-o de Frusciante brasileiro. Não achei-os parecidos mas a comparação foi válida sim, pelo ataque agressivo com um swing muito forte. Já gostava do outro guitarra mas o cara de ontem era infernal. Poucos pedais: whah, reverb, alguma distorção e mais um outro que não identifiquei.

Gosto da levada do som. Leo manda bem nas bases, tem pegada, faz a linha malandro sedutor com a mulherada mas é bem profissional no palco. Reclama do som (sem grosseria), pede menos grave para o baixista, dá ordens à banda, entra com as falas em momentos planejados (o que eu não curto, pois gosto da espontaneidade ou, pelo menos, de acreditar que o cara tá sendo espontâneo).

Mas a noite ontem, para mim, foi do guitarrista. Timbre com ótima mordida, groove preciso, malaco, boas harmonizações, solos incendiários, ainda que cuidando para não competir com o dono da banda. Fiquei hipnotizado. SG nunca me atraiu. Só o Angus Young me fez respeitar essa guitarra e, mais recentemente, o Billy Corgan. De uns anos para cá comecei a curtir a personalidade dessa guitarra, a começar aquela história de “Hmmm, quem sabe um dia ter uma...”. Sim, eu sofro de G.A.S. E é crônica.

(Ah, os amps dos caras eram todos Warm Music, que vem patrocinando o cara.)

Fim do show, conversei um pouco com o baixista, que me disse que ainda tem o Yamaha mas que encontrou o som dele naquele Jazz Bass. Cumprimentei o guitarra e o percussa, que me perguntou se eu toco percussão pois em todo show eu me ligo no que ele faz e fico “cantando” as paradas. Acontece que eu adoro batera e percussão e, muitas vezes, o percussa passa desapercebido pela maior parte da galera.

Troquei algumas palavras com o Leo, que é sempre simpático com a galera.

O bar ontem estava cheio. As quintas por lá são ótimas. Muita mulher como sempre. Várias ali, marcando ponto nos shows do cara.

Saldo da noite: mais um show de prima e muita cerveja gelada, estourando o peito e semando a ressaca de hoje.
enviada por BTNS






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